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Automatização da coleta de lixo modernizou limpeza urbana

21/01/2012 07:36:42

Foto: Ricardo Giusti/PMPA
Ruas ficaram livres de 3.000m³ de lixo, equivalente a prédio de 10 andares

Ruas ficaram livres de 3.000m³ de lixo, equivalente a prédio de 10 andares

No dia 12 de julho de 2011, o prefeito José Fortunati e o diretor-geral do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) Mário Moncks estavam na Praça da Matriz, no Centro Histórico de Porto Alegre, para receber o primeiro contêiner de coleta automatizada de lixo em uma capital brasileira. A modernização da limpeza urbana começou numa área restrita da cidade, mas foi implantada com eficiência e segurança para crescer em módulos similares a partir de 2012.

A área-piloto, onde foram distribuídos inicialmente 1.100 contêineres, representa cerca de 9% da cidade, beneficiando aproximadamente 124 mil moradores de 13 bairros diferentes. Cinco bairros beneficiados por completo (Centro Histórico, Independência, Cidade Baixa, Bom Fim e Farroupilha) e outros oito parcialmente (Praia de Belas, Menino Deus, Azenha, Santana, Rio Branco, Santa Cecília, Moinhos de Vento e Floresta). Essa área é limitada pelo Guaíba a oeste, pela avenida Ipiranga a sul, pelas avenidas Silva Só, Goethe e rua Dr. Timóteo a leste e, a norte, por um contorno que da Dr. Timóteo segue pela avenida Cristóvão Colombo até a rua Ramiro Barcelos e desta pela Voluntários da Pátria até a Mauá.

“De um dia para outro as pessoas não precisaram mais ficar com lixo guardado dentro de casa. Passaram a poder descartar seu lixo orgânico a qualquer hora do dia ou da noite e, por paradoxal que possa parecer, a estética do Centro Histórico mudou para melhor, principalmente em finais de tarde. Sumiram os sacos de lixo das calçadas. Três mil metros cúbicos de lixo, que equivalem a um edifício de dez andares, deixaram de ficar expostos à chuva e ao vento, ficaram fora do alcance dos animais, não foram mais espalhados pelas ruas e deixaram de entupir bueiros e gerar alagamentos”, afirma Carlos Vicente Gonçalves, diretor-geral em exercício do DMLU.

A chegada dos contêineres para coleta de lixo orgânico à área central de Porto Alegre também reforçou o conceito de separação do lixo (orgânico e seco) e fez crescer a coleta seletiva, que completou 21 anos em 2011 e atende 100% dos bairros da cidade duas vezes por semana, gerando emprego e renda média de um salário mínimo para cerca de 800 pessoas que trabalham nas 18 Unidades de Triagem (UT) conveniadas com o DMLU. Duas dessas UTs foram inauguradas em 2011, uma junto ao loteamento Nova Chocolatão, em meados de maio, e outra, a maior de todas, na rua Frederico Mentz, na última semana de agosto, com 150 postos de trabalho.



Bota-fora
- Em 2011, o programa Bota-fora atendeu 203 comunidades e retirou 1.682 toneladas de materiais inservíveis, que não são recolhidos pelas coletas regulares do DMLU. O Bota-Fora teve origem em ações esporádicas similares que o DMLU fazia aleatoriamente na periferia da cidade. Em 2009, a partir de demandas do Orçamento Participativo, esse trabalho se transformou em um programa permanente: atendeu 199 vilas e deu destinação correta a 1.880 toneladas de entulhos. Em 2010 foram 202 comunidades atendidas, mas o volume de resíduos retirados diminuiu 134 toneladas em comparação com o ano anterior. Agora em 2011, apesar de ter sido atendida uma comunidade a mais, a quantidade de lixo continuou diminuindo.

Em média, há o atendimento a uma comunidade em cada dia útil, de março a dezembro. Esse programa não é apenas uma coleta de lixo que deixa as áreas públicas mais limpas nas comunidades por onde passa. Há a preocupação constante com a informação e a educação ambiental da população. A Assessoria Comunitária visita as comunidades alguns dias antes da coleta propriamente dita, conversa com os moradores, explica o trabalho que é feito, a motivação e a importância disso, distribuindo panfletos explicativos e divulgando intensamente o dia em que o caminhão passará ali para recolher aquele tipo de lixo diferenciado que as pessoas devem retirar de suas casas e terrenos: são sucatas de eletrodomésticos, colchões velhos, móveis quebrados, restos de obras e reformas ou quaisquer outros utensílios inservíveis que não podem ser recolhidos pela coleta domiciliar de lixo comum ou pela coleta seletiva.




Educação ambiental - O DMLU tem consciência de que a eficácia dos serviços que presta à cidade depende muito do comportamento da população e, por isso, mantém permanentemente diversas ações de educação ambiental. “Tanto os programas voltados para a periferia, onde atua mais a Assessoria Comunitária, quanto o trabalho junto às escolas de ensino fundamental, que têm a atenção do nosso Serviço de Assessoria Socioambiental (Sasa), são importantes da mesma maneira, porque todos descartam lixo diariamente. E quanto mais consciência e disciplina houver nesse ato cotidiano, melhor será a limpeza da cidade”, explica Carlos Vicente Gonçalves, diretor-geral em exercício do DMLU.

A Assessoria Comunitária do DMLU visitou 203 comunidades em 2011 antes de cada intervenção do programa Bota-fora, sempre orientando e distribuindo panfletos explicativos. Além disso, participou de 25 eventos onde os diversos serviços do DMLU foram divulgados. E realizou 57 ações de sensibilização para determinados assuntos específicos, como, por exemplo, a implantação da coleta automatizada do lixo orgânico domiciliar, no mês de julho, no Centro Histórico e mais dez bairros da cidade. Todo esse trabalho foi reforçado pela distribuição de 67 mil panfletos do Bota-fora, 30 mil cartilhas de comportamento do “Pintou Sujeira”, 21 mil panfletos da coleta domiciliar, 14 mil informativos da coleta seletiva, 17 mil listagens dos postos de coleta de óleo de fritura e 10 mil folders dos postos de entrega de lixo eletrônico.

O Serviço de Assessoria Socioambiental (Sasa) realizou 140 ações durante o ano de 2011 e, com isso, atingiu 21 mil pessoas. Foram cursos “Chega de Lixo” para professores, síndicos de prédios e lideranças comunitárias; participação no projeto Aldeia Ambiental, em parceria com o Comando Ambiental da Brigada Militar (CABM) e a empresa Braskem; e oficinas de reaproveitamento de resíduos descartáveis em diversos eventos públicos. As redes de pesca ilegal, apreendidas pela Brigada Militar, serviram de matéria prima para a produção de uma tartaruga gigante. A escultura está exposta na sede do CABM junto com o jacaré confeccionado no ano anterior.
 
Na sede do DMLU, onde está instalado o “túnel de sensibilização”, que mostra os “caminhos do lixo”, passaram 801 visitantes durante o ano. E a perspectiva é que todo esse trabalho deverá crescer em 2012 com a chegada de um ônibus detalhadamente customizado, que difundirá com mais eficiência a educação ambiental.

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Texto de: Gilmar Martins
Edição de: Paulo Tomás Velho Cardone
Autorizada a reprodução dos textos, desde que a fonte seja citada.

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